
O samba começou a ser vítima de preconceito bem antes daquele tempo em que Don Don deitava e rolava no Andaraí, subúrbio do Rio de Janeiro, como narra a letra magistral de Nei Lopes interpretada por Dudu Nobre. Um preconceito, acima de tudo, social e de classe que, durante anos, evidenciou uma espécie de separação entre negros e brancos.
Ali pelos anos 20 e 30 do século passado, o samba ainda era restrito ao morro e, de fato, só desceu de lá para o asfalto quando a turma da Bossa Nova, que veio bem depois, nos anos 60, deixou a Zona Sul carioca para ouvir Cartola, Nelson Sargento, Elton Medeiros, Nelson Cavaquinho e uma porção de outros craques que se apresentavam num sobrado alugado da rua da Carioca, em pleno Centro do Rio. O Zicartola, como o bar era chamado em homenagem à dupla dona Zica e Cartola, que comandava os trabalhos no boteco, foi, sem dúvida, um marco que amenizou esse tal preconceito que taxava de bandido sambista pego na rua com um pandeiro na mão.
Tempos difíceis que volta e meia dão o ar da graça. Um exemplo disso é o processo que um servidor move agora contra o Sindsaúde pelo simples fato do Sindicato contribuir financeiramente com as rodas de samba organizadas pelo grupo Nós do Beco, na primeira sexta-feira de cada mês, na Cidade Alta. O sujeito acusa a entidade de promover bebedeiras com dinheiro dos sócios.
Pagando metade do cachê do grupo e incentivando a presença dos servidores da saúde no samba através de divulgação e distribuição de duas fichas para consumo no bar do Pedrinho, onde acontece a roda, o Sindicato encontrou uma forma de resistir e proteger a cultura brasileira da interferência ditatorial e impositiva dos meios de comunicação comerciais que empurram goela abaixo do público um produto de gosto duvidoso, mas de fácil alcance.
O samba merece respeito por tudo o que passou e conquistou nesses anos de história. É como diz a bela letra de Jorge Aragão: “respeite quem pode chegar aonde a gente chegou!”
2 comentários:
Esse tal servidor bom sujeito não é. Ou é ruim da cabeça ou doente do pé...
rsrsrs
Com certeza a este cidadão do Sindsaúde que entrou com a ação tem um "Q" de religião a dar este víeis pré-conceituoso, agente perdoa porque ele ñ sabe o faz! muito boa matéria Rafael!
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