sexta-feira, 9 de julho de 2010

'O AMOR SÓ É BOM SE DOER'

Ah, a saudade. Se a terça-feira desta semana foi feita para relembrar Cazuza, que cantou pra subir há 20 anos, hoje, nesta sexta triste, é dia de tomar aquele gole de uísque pra ficar um pouquinho mais próximo de Vinícius, o poetinha que foi tomar seus porres noutro canto há 30 anos. Desse balcão de madeira virtual, prostrado evidentemente no meio da rua, ergo o copo invisível lembrando o poeta, para quem o melhor amigo do homem sempre foi o uísque, que no dizer dele nada mais é do que o cachorro engarrafado.

De 'Canto de Ossanha', a frase com que disseco esses dias tão doloridos:

"Pergunte ao seu orixá: o amor só é bom se doer"
Vinícius de Moraes

quinta-feira, 8 de julho de 2010

O FATOR POLVO

Nem eu, que faturei 100 pilas contra a Coréia do Norte e a Costa do Marfim nem o repórter Hugo França, que levou quase 150 caraminguás no muxoxo empate com Portugal. O rei do bolão mundial é o infeliz do polvo alemão, o molusco que segue com 100% de aproveitamento na Copa.

O sacripanta acertou o vencedor de todos os jogos da Alemanha. Vá lá que o grau de dificuldade de quem crava o placar do jogo é maior. Mas não vamos jogar água no chope alemão. Até porque se tem uma coisa que ninguém pode reclamar é a crença alemã no primeiro doido que aparece.

O alemão tem aquela fama de certinho, disciplinado, frio, mas no fundo é tão maluco que o mais pinel do hospital João Machado. Sejamos sinceros: quem, em sã consciência, acreditaria num sujeito recém-chegado de outro país com a idéia maluca na cabeça de exterminar judeus do planeta? Só mesmo a turma do chucrutes que põe fé no poder supremo e premonitório de um bicho que sabe quem vai ganhar um jogo de futebol. E parece que, dessa vez, contaminou o mundo.

Ontem, assim que a Espanha sacramentou a vaga na final, falei com o Alemão. Funcionário da loja de macumba que fica na esquina do Beco da Lama, ganhou o apelido depois que acreditou quando Felipe Melo disse, antes da Copa, que tinha mudado. Alemão estava preocupado. E tinha uma bomba:

- Hômi, o DEM e o PSDB vão à Justiça proibir a participação do polvo nas eleições desse ano.

Por quê?, perguntei.

- É amigo de Lula...

terça-feira, 6 de julho de 2010

PROGRAMA DE ÍNDIO

Alto lá! O título não faz referência alguma ao vice de Serra. Aqui o papo é sério, não é a esculhambação do PSDB. Falo do papudinho mais sem-futuro (dizem as más línguas que é tão sem futuro que está por meia cirrose) da república anárquica do Beco da Lama.

Índio, assim sem sobrenome, tem a mania de hibernar após um porre. Chega a sumir durante uma semana. Ninguém sabe se passando o tempo dormindo o sono dos lisos ou com ressaca moral mesmo. Ontem à tarde, próximo ao bar do Chico, encontrei Índio cambaleante, procurando um rumo.

Remela na cara, cara de sono. Com uma guimba de cigarro apagada no canto da boca, pediu um isqueiro. Disse que não fumava e perguntei de onde vinha:

- Hômi, tomei umas cachaça no primeiro tempo do jogo contra a Holanda no telão da prefeitura que nem vi o resto da partida. Acordei inda agora...

Índio estava em transe. Achava, pelo que rolou na primeira etapa do jogo de sexta-feira, que nem o Mick Jagger era capaz de fazer o Brasil perder aquela barbada. Imaginando mais um feriado nesta terça-feira, perguntou meu palpite para o jogo:

- Rapaz, vai ser duro. Mas sou Uruguai desde pequeno.

Índio me olhou como quem não acreditava. Estrebuchou um palavrão, me chamou de antipatriota e todas aquelas merdas que aprendeu com o Dunga e foi andando. Quando ia virar a esquina, ainda gritou:

- Hômi, pare de beber... assim você endoida. Uruguai é a porra! É Brasil na cabeça. E com um gol de carrinho do Felipe Melo que é pra tu ficar mais puto ainda...