As tardes desta semana que finda amanhã não foram as mesmas de meses atrás. Nós, aqui deste NOVO JORNAL, periódico que há quase dois anos vem incomodando tanta gente e já virou, à boca miúda, a tradução da direita neoliberal, não chegou a parar, mas se divertiu bastante com a bizarrice das discussões sobre a lei que permitiria instalar ou não postos de gasolina em áreas de supermercados.
Pois pra vocês que não sabem o que se passa nesta redação tão odiada por cientistas, políticos com mandatos, sem mandatos e pavões misteriosos, digo que somos diferentes. Primeiro porque pensamos diferentes, viemos de lugares diferentes e defendemos pontos de vista diferentes. E só por isso já nos diferenciamos da maioria dos vereadores que compõe, hoje, o circo de horrores instalado na Câmara Municipal. A carapuça é livre.
Guardarei na memória, em especial, a votação de ontem. Não esqueço mais o dia em que vi, pela TV, o DEM votando e fazendo discurso contra a livre iniciativa de mercado. E ao ser ironizado em plenário, recorrer a uma debandada do PT de 1988 como se a incoerência do inimigo justificasse as razões de tanta ignorância.
Também vou lembrar para sempre a cara de pau do líder do governo afirmando, em close na telinha, que foi convencido a votar a favor dos empresários dos postos de gasolina pelo líder da oposição que pertence ao PC do B.
Confesso que assustado mesmo só fiquei uma vez. Quando vi o vereador Maurício Gurgel reclamando, ao vivo, que um colega lhe mandou sentar no colo de outro se quisesse assumir a presidência da sessão, imaginei que o troca-troca na Casa estava indo longe demais. Juro que pensei que os cabarés haviam finalmente ganhado espaço na grade da TV Câmara. Um susto que durou o tempo de uma penitência. Pedi desculpas, mentalmente, à memória de Maria Boa pela audácia de comparar a Câmara a uma casa onde a mercadoria vale quanto pesa e a honestidade é a alma do negócio.
Na briga entre postos de combustíveis e supermercados, o cidadão quer apenas o direito de comprar um combustível mais barato. Por isso, aos empresários que se negaram a dar entrevista ao repórter Jalmir Oliveira ao final da votação simplesmente porque o jornalista trabalha neste NOVO JORNAL, um pedido: guardem a saliva para as negociações que ainda virão pela frente. Se o projeto voltar mesmo ao plenário em janeiro, vai ser preciso queimar mais combustível. E pela tendência atual, a moda é flex: álcool e gasolina no mesmo tanque. A merda é se vier batizada...
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