Ainda estamos no início de fevereiro, falta pouco mais de um mês para o carnaval, mas o ex-técnico do Vasco, Paulo César Gusmão, já desponta como o cara-de-pau do ano. Como todo mundo já sabe, o time da cruz de malta não marcou nenhum mísero pontinho no campeonato carioca. Perdeu de três clubes pequenos, além do clássico para o Flamengo. Mas hoje, em entrevista ao jornalista Paulo Vinícius Coelho sobre a demissão dele da nau vascaína, o discípulo de Vanderley Luxemburgo saiu-se com essa:
"A única coisa fora de controle eram os resultados. E isso também porque nós pegamos os três melhores times pequenos do grupo", afirmou.
Três melhores times pequenos, PC?
Tá explicado...
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
O ABRAÇO QUE ESMAGOU A DITADURA
Dilma Rousseff, a presidenta de todos os brasileiros, está na Argentina cumprindo compromissos oficiais para estreitar relações com os hermanos. Uma visita de praxe como aquelas em que os chefes de nação recém-eleitos fazem geralmente em início de governo. Pose para foto com a presidenta Cristina Kirchner e o discurso de aproximação típico de solenidades envolvendo comandantes de países amigos. Mas a mesmice acaba aí.
A pedido da própria Dilma, o encontro foi além. A ex-guerrilheira e atual comandante em chefe das Forças Armadas do Brasil pediu um encontro com as avós e mães da Praça de Maio, movimentos de mulheres que reivindicam os netos e filhos desaparecidos durante a ditadura militar argentina. Abraçou uma a uma as 24 mulheres que estiveram no encontro.
Dilma ouviu relatos sobre a ditadura argentina e um pedido para que o Brasil abrisse de uma vez os arquivos dos anos de chumbo daqui.
A visita da presidenta de todos os brasileiros a Argentina é histórica. Um encontro de mulheres que resistiram à truculência, à selvageria à tortura física e psicológica. Um momento para ser lembrado e, sobretudo, celebrado.
Hoje, mais do que nunca, brasileiros e argentinos se uniram em memória da própria história.
A pedido da própria Dilma, o encontro foi além. A ex-guerrilheira e atual comandante em chefe das Forças Armadas do Brasil pediu um encontro com as avós e mães da Praça de Maio, movimentos de mulheres que reivindicam os netos e filhos desaparecidos durante a ditadura militar argentina. Abraçou uma a uma as 24 mulheres que estiveram no encontro.
Dilma ouviu relatos sobre a ditadura argentina e um pedido para que o Brasil abrisse de uma vez os arquivos dos anos de chumbo daqui.
A visita da presidenta de todos os brasileiros a Argentina é histórica. Um encontro de mulheres que resistiram à truculência, à selvageria à tortura física e psicológica. Um momento para ser lembrado e, sobretudo, celebrado.
Hoje, mais do que nunca, brasileiros e argentinos se uniram em memória da própria história.
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
O ENTERRO DO SEO BEZERRA

Cheguei a guardar distância de velórios e sepultamentos. Os familiares que já foram a oló me perdoem, é coisa minha. Nunca soube, na vera, se tinha a ver com a tristeza, o choro das carolas, o cheiro das flores ou com as próprias lembranças do passado. Meus avós, por exemplo, de quem ainda conservo agudas saudades, partiram sem a última despedida do neto desnaturado. Me penitencio agora mesmo sem mostrar arrependimento.
O cenário só mudou quando o Jornal Nacional anunciou, em 2005, a morte de Bezerra da Silva, sambista pernambucano que cantava o Brasil do jeito dele, cevado no bom humor. Fazia dos dramas e tristezas da vida uma grande piada. Ironia fina, como exigia a malandragem de antigamente.
Para minha surpresa, a reportagem que narrou o sepultamento do ritmista mostrou tudo aquilo que seo Bezerra era em pessoa: alegria. Em vez do choro, o sorriso. No lugar do lamento, uma roda de samba. Na vaga das lágrimas, muita cerveja gelada. De improviso, amigos, fãs e músicos da melhor qualidade se despediram de seo Bezerra do jeito que, provavelmente, o menestrel gostaria que fosse o último dia.
E desde então, paradoxalmente feliz da vida, passei a defender aos amigos mais chegados que, quando chegar a hora, que seja também regada a um bom samba e à cerva estupidamente no ponto.
Passaram-se os anos e o jornalismo, que também entrou para a família como um irmão mais novo, se encarregou de encerrar minha bronca com o funéreo. Por dever do ofício, cobri passeatas em favor de parentes mortos, cortejos, velórios, homenagens póstumas, missas de sétimo dia e enterros. De gente rica e pobre. Da grã-finagem à malandragem. Do Morada da Paz ao cemitério do Bom Pastor.
Semana passada, acabei encerrando os trabalhos da sexta-feira aqui pelas bandas da Ribeira. No roteiro, a tradicional passada pelo Buraco da Catita, casa que reúne chorões, sambistas, gente interessada em música e, principalmente, em gente. De uma hora para outra, um panfleto que passava de mão em mão me remeteu ao bloqueio dos funerais do passado. Falava o papel da quarta edição de um tributo a Bezerra da Silva.
O evento, marcado para dali a alguns instantes, prometia sacudir um beco mal iluminado que serve hoje de mictório extraoficial da Catita. Para entrar, bastava passar por um pano amarrado a um cordão, evidentemente preso ao muro do beco, e pagar cinco pratas. Entramos eu e o amigo Valdir Julião, patrimônio histórico da humanidade e da Tribuna do Norte.
Pouca gente no pagode do seo Bezerra embora a banda se esforçasse para que o preto velho baixasse no mafuá. Não sei se foi a cerveja, mas a noite foi ficando estranha. De uma hora para outra, a malandragem deu um tempo e a segunda banda subiu no palco. Do samba a coisa descambou para o heavy metal. Enterraram seo Bezerra na minha frente. Ninguém sorriu. O trauma voltou.
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
terça-feira, 5 de outubro de 2010
O ABORTO DA HIPOCRISIA

Depois do tsunami de votos da finada Osmarina nos primeiros 45 minutos, agora é o aborto que entra em campo como elemento surpresa e merece a marcação especial petista.
Segundo a turma que diz que entende o que nenhum instituto de pesquisa conseguiu entender até o momento, o xis do segundo turno tem a ver com o polêmico debate sobre a decisão da mulher em retirar ou não do ventre o feto antes do nascimento da criança.
Uma coisa é prego batido e ponta virada: a discussão sobre o tema, se fosse levada a sério, não seria resolvida em três semanas. E é aí, como se diz no país do Bolsa Família, que a porca torce o rabo. Nunca na história desse país, para ficar numa expressão igualmente popular nos dias de hoje, houve um momento tão propício para um debate de verdade sobre o aborto.
Padres, pastores, políticos, feministas, sindicalistas, estudantes, trabalhadoras, jornalistas, ministros e até o presidente da República, todos representantes de segmentos da sociedade civil organizada e outros complementamente desprovidos de organização, pegaram carona no tema e tiraram uma casquinha da candidata Dilma Rousseff que em 2007 disse que era a favor, mudou de ideia e desmentiu tudo o que disse e o que não disse para ficar bem na fita e não sair mal na foto das eleições.
Tudo muito bem armado pela sordidez da candidatura tucana, com o apoio incansável de parte da mídia, em mudar completamente o foco do que foi posto na mesa embrulhado para presente para o eleitor.
Não é o conceito do aborto que está em xeque agora. O debate que ninguém fez até aqui nem quer fazer é o do ataque à liberdade de opinião. A opinião de uma única mulher sobre um tema polêmico que se não dirá respeito somente a Dilma quando ela subir a rampa do Palácio do Planalto no primeiro dia de 2011, deveria ser tratado tão e simplesmente como uma posição de alguém que tem moral, princípios e uma história de vida tal qual milhares de cidadãos brasileiros. É bom que se diga que a opinião de um presidente não é um decreto numa democracia.
Já o manual de etiqueta da direita é de fazer inveja à Maquiavel. O DEMO José Agripino Maia, senador reeleito agora, passou a campanha inteira elogiando o presidente Lula. Uma única vez, num debate fechado para empresários potiguares organizado pela Fecomercio que eu cobri pelo NOVO JORNAL, ousou falar mal do petista e defender as privatizações.
Nem material gráfico do Serra os candidatos do partido de Agripino, incluindo a governadora eleita Rosalba Ciarline, tiveram coragem de distribuir. Foi sair o resultado das urnas para o senador voltar a espinafrar Lula e vestir de novo a capa de principal porta-voz do anti-Lulismo do país. Para não perder a viagem, Serra, no segundo dia pós-primeiro turno, já se anunciou ambientalista para comer o capim verde que sobrou da amiga de Chico Mendes.
Quem é do ramo, vai dizer que tudo isso é do jogo. Mas é lamentável que no país do Tiririca, talvez o único que tenha ousado dizer a verdade, para ganhar eleição seja proibido dizer o que pensa. Dilma Rousseff está sendo vítima dessa nova inquisição. A mulher que debaixo de tortura aguentou calada a ditadura para preservar a vida de companheiros que morreriam se fossem delatados, agora, 40 anos depois, candidata ao posto máximo da nação, é obrigada a calar novamente por perseguição porque ninguém tem mais o direito de pensar diferente do que pensa a ala mais conservadora do país, representada nesse caso pela igreja.
O aborto da hipocrisia no Brasil, definitivamente, faz parte da nossa democracia.
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