segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

A incrível tese do conselheiro da Borboleta

Na série de reportagens publicadas durante a semana pelo NOVO JORNAL sobre as eleições para vereador em 2012 nenhuma declaração chamou mais a atenção que a do neodemocrata Enildo Alves, recém chegado ao DEM.

O parlamentar se disse surpreso e sem entender o motivo de tanta rejeição do natalense à administração da prefeita Micarla de Sousa. Uma rejeição que não está representada em meia dúzia de gatos pingados, mas em mais de 90% da população. Ao mesmo tempo, também se mostrou incrédulo com o tamanho da popularidade do ex-presidente Lula, que deixou o governo com mais de 80% de aprovação.

Enildo compara as gestões de Micarla e Lula. E nas contas dele, a administração verde em Natal foi muito melhor que o governo petista em nível nacional. Alves cita a saúde, a educação e a segurança – três pastas vitais em qualquer administração – para comprovar a incrível tese que defende.

O vereador só ignora, talvez por um lapso de memória, que os postos de saúde de Natal não funcionam e que, segundo o Ministério Público, a prefeitura deixou de repassar R$ 57 milhões à educação municipal.

No afã de jogar no DEM, partido cujas cores já defendeu em priscas eras, Enildo desce a mamona em Lula, ex-presidente que a oposição não esquece. Aqui do meu canto, acho difícil que seja interesse do DEM, esfacelado nacionalmente depois da briga de foice com o PSD, comprar a briga da rejeitadíssima Micarla comparando a gestão dela logo com as ações de Lula.

O próprio senador José Agripino Maia tem evitado espinafrar a gestão verde embora esteja longe de rasgar elogios à candidata que apoiou em 2008. Se finge de morto, uma estratégia para lá de conhecida do partido.

Quem lembra a campanha de 2010 há de recordar, inclusive, que a então candidata ao Governo do Estado, Rosalba Ciarlini, pegou várias vezes carona no discurso do presidente Luís Inácio. E isso sem falar na dispensada federal no presidenciável José Serra. Nem material de campanha com a foto casada dos candidatos a governador e presidente se viu por aqui. E isso mesmo com a aliança DEM e PSDB construída em nível nacional e local.

O vereador Enildo Alves foi líder da prefeita na Câmara Municipal durante toda a gestão do PV. Defendeu Micarla até nas situações em que parecia não haver defesa. E até outubro do ano passado, quando se filiou ao DEM, subiu à tribuna da Casa sem falar em nome de partido nenhum, já que rompeu com o PSB após a eleição e ficou sem sigla.

Para o neodemocrata, Micarla se livraria dessa monstruosa rejeição se apenas mandasse tapar os buracos e varresse as ruas da cidade. Simples assim. Como estrategista, Enildo Alves é um ótimo conselheiro.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Eu e o chefe do DOI-CODI


Corria setembro de 2006, eu estava há seis meses de Tribuna do Norte, quando pintou a chance de entrevistar por telefone o homem apontado pela maioria das pessoas que viveram a ditadura militar como um dos principais torturadores da época. Carlos Alberto Brilhante Ustra vinha a Natal lançar um livro em que conta a visão dos militares sobre os anos de chumbo.

Foi uma entrevista tensa. Primeiro pelo meu interesse e envolvimento com o tema, embora na minha família não tenha ninguém que tenha sofrido as barbaridades daquele período. Segundo pela indisposição do próprio Ustra em falar sobre tabus da ditadura, como a própria tortura. Percebam na entrevista, aqui publicada na íntegra, como ele vai ficando nervoso com as perguntas.

Agora há pouco, lendo matéria sobre a lista de torturadores supostamente escrita por Luiz Carlos Prestes e publicada na revista História vejo o nome do meu entrevistado encabeçando a lista. Que a Comissão da Verdade, instaurada no final do ano passado pela presidenta Dilma Rousseff, cumpra seu papel de investigar, descobrir e punir todos os filhos da puta da época.

Abaixo, a entrevista publicada no caderno Viver, da TN, em 9 de setembro de 2009, com o ex-chefe do DOI-CODI Carlos Alberto Brilhante Ustra. E tirem suas próprias conclusões.



O OUTRO LADO DA MOEDA






Além de ter marcado simbolicamente o fim da ditadura militar no Brasil, a saída do general João Batista Figueiredo pela porta de trás do Palácio da Alvorada (ele se recusou a passar a faixa presidencial para o sucessor José Sarney), em 1985, levou os militares ao ostracismo. A única voz que se ouvia, até então, nas discussões sobre a repressão era a da esquerda brasileira. Nos últimos 20 anos, a bibliografia dos "anos de chumbo" expôs um dos lados da moeda.

O ano de 2006, no entanto, pode ficar marcado pelo retorno dos militares. Pelo menos à mídia. O coronel reformado do Exército, Carlos Alberto Brilhante Ustra, 74 anos, decidiu contar a versão dos militares para o golpe de 1964 - que derrubou do poder o presidente Jânio Quadros e deu início à ditadura. Ironicamente, o Ex-chefe do DOI-CODI, em São Paulo, entre 1970 e 1974 - um dos órgãos mais temidos durante a repressão - revela que vem sendo boicotado pelas grandes livrarias do país desde abril deste ano, quando decidiu publicar "A Verdade Sufocada: a história que a esquerda não quer que o Brasil conheça".

Com mais de 6 mil exemplares vendidos - segundo informações do autor -, o livro causou a primeira polêmica já no dia do lançamento oficial, em Brasília. O coronel foi intimado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo a depor sobre as acusações da militante de esquerda Maria Amélia Telis, que denunciou ter sido torturada na época de seu comando. O lançamento do livro em Natal está marcado para o dia 14 de setembro, a partir das 18h, na AS Livros da avenida Salgado Filho.

O coronel Brilhante Ustra conversou com o VIVER por telefone sobre o livro e outras questões relacionadas ao período. A voz tranqüila do militar no início da entrevista deu lugar à irritação em alguns momentos. Ele não admitiu a prática da tortura pelo regime, afirmou que o golpe foi dado para preservar a democracia e sentenciou: "vivemos numa ditadura disfarçada".

TRIBUNA DO NORTE Qual é a história que a esquerda não quer que o Brasil conheça?
Brilhante Ustra: A história da contra-revolução que começou no dia 31 de março de 1964. No livro procuro resgatar por que aconteceu daquela forma. Me baseio em documentos, provas e em dados, principalmente, os da esquerda.

E o que houve naquele momento que ainda não foi contado?
BU: O que se sabe é a versão mentirosa da esquerda. Trago a verdade. Desde 1961, durante os governos democráticos de Jânio Quadros e João Goulart, a esquerda visava plantar uma república marxista-leninista aqui. Vários comunistas, inclusive, foram mandados a Cuba para treinar técnicas de guerrilha armada.

Com o consentimento do Governo?

BU: Não. Era coisa do Partido Comunista. Fazia parte de um esquema montado pela União Soviética apoiado por Cuba através da Organização Latino-americana de Solidariedade, que orientava a luta armada. O que ocorreu, então, foi uma antecipação das Forças Armadas com a contra-revolução. Lutamos para preservar a democracia que vivia naquele momento. A esquerda, ao contrário, queria a ditadura revolucionária.

Mas não é incoerente preservar uma democracia com uma ditadura?
BU: Não é com ditadura! Estávamos em pleno regime democrático. Quando começou o terrorismo, os presidentes estavam vivendo uma democracia. As Forças Armadas reagiram e preservaram o regime. Isso ocorreu na Argentina, no Chile, no Peru, na Colômbia, no Uruguai... o único país em que a democracia não foi implantada, e curiosamente é venerado até hoje pela esquerda, é Cuba.

Que dados da esquerda o senhor utiliza para contar essa verdade?
BU: Principalmente os das mortes. Enquanto 30 mil pessoas morreram na Argentina e 4 mil no Chile, no Brasil houve apenas 500 mortes.

Mas são números oficiais do regime?
BU: Não. A esquerda conseguiu apresentar apenas 380 mortos e o governo contabilizou apenas 120. No livro relaciono todos os nomes. Pelo tamanho do Brasil, deveriam ser 150 mil, mas as Forças Armadas agiram rápido e evitaram que o país virasse um pandemônio.

E por que o senhor decidiu escrever o livro agora?
BU: Essa história tem sido contada e mal contada por um lado. Quando houve a lei da anistia, foi dada a ordem e decidimos colocar uma pedra em cima daquilo para começar uma nova etapa. Mas o lado dos vencidos conta a coisa de maneira deturpada. O que eu faço é destruir isso no livro.

O senhor vem enfrentando algum tipo de boicote?
BU: As grandes livrarias se recusam a vender meu livro. Estou sendo censurado. Parte da mídia também está silenciosa. Mas conversei com algumas pessoas do meio que me atestaram que o livro vai ser um fenômeno de vendas. Já vendi mais de 6 mil exemplares em Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro, estados onde lancei a obra. O interessante é que as pessoas que viveram 1964 estão comprando o livro para os filhos que ainda não eram nascidos, orientando-os para que leiam.

Tem receio de manifestações por parte de entidades de esquerda?
BU: Até agora não aconteceu. Se houver manifestação terei mais uma prova de que estamos vivendo sob uma ditadura disfarçada, que essa é a verdade sufocada.

Em abril, quando o senhor lançou o livro em Brasília, o Tribunal de Justiça de São Paulo o intimou...
BU: Mas não teve nada a ver com o livro! Foi uma terrorista (Maria Amélia Telis) que disse que foi torturada na frente dos filhos no DOI-CODI de São Paulo, em 1972, quando eu estava na chefia. Eles estão querendo que eu ajude a pagar a pensão dos filhos deles.

Eles foram torturados mesmo? Em que pé está o processo?
BU: Olhe, o caso está com o meu advogado, Paulo Esteves, e ele me orientou a não dar qualquer declaração sobre isso. Se você quiser saber alguma coisa, ligue para ele.

Coronel, a ditadura era apoiada, de certa forma, por uma parcela da população até a prática da tortura no regime vir à tona. O senhor conta isso também no livro?
BU: Quando eram presos e chegavam na auditoria, era muito normal os terroristas negarem os assaltos, os atentados, dizerem que foram torturados... para o currículo deles, hoje, isso é o máximo. Dizer que matou gente, roubou... para nós, fica a pecha de torturador. Por mim, no DOI-CODI, passaram mais de cinco mil pessoas.

Mas havia tortura...
BU: Nunca vou admitir isso. Sei que havia alguns exageros, mas não era o normal.

Por que não admitir a tortura se o senhor está se propondo a contar a verdade sufocada daquele tempo?
BU: Rapaz, quantos anos você tem?

Vinte e sete.
BU: Então, você não sabe de nada. É muito jovem, não viveu aquele tempo.

O DOI-CODI paulista, que o senhor chefiou entre 1970 e 1974, era tido como um dos órgãos mais temidos da repressão. Por quê?
BU: A quantidade de terroristas em São Paulo era maior do que em qualquer outro lugar do país. Mas leia meu livro que você verá que isso não era verdade. Não tinha nada de temido.

Mas...
BU: Olhe guri, estou aqui para falar sobre meu livro! Me disseram que a entrevista seria sobre o livro. Não gosto de falar com a imprensa que quase sempre deturpa o que eu falo.

O senhor tem medo da imprensa?
BU: Se tivesse medo da imprensa já tinha morrido. Não sou contra ela. O problema é que a mídia deturpa as coisas. Tenho muito respeito por ela, só não gosto da falta de ética.

Coronel, os militares dizem que não morreu nenhum inocente durante a ditadura. Mas o fato do general Newton Cruz ter sido um dos indiciados pelo atentado no Riocentro, em 1981, não prova que os militares também forjavam provas para incriminar os comunistas?
BU: Não posso falar sobre isso porque não estava lá. Morava em São Paulo nessa época. Essa história de que militar plantava prova é um mito da esquerda. Olhe, já falei sobre o livro. Vamos encerrar essa conversa...

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

'Samba é canção de guerra'



Khrystal está preparada para a guerra. A diferença, agora, é que no lugar do fuzil ela bate um pandeiro. Em vez do canhão, a percussão é que manda bala. A baioneta dá lugar ao bandolim e o pipoco do treme-terra deixa qualquer bombinha com cara de traque. Pergunte à nêga o que danado é o samba e ouça na bucha: 'O samba é canção de guerra'.

Pague para ver. A partir da próxima sexta-feira, e em todas as sextas seguintes até o carnaval, essa guerra toda descamba no Espaço Cultural Dosol, ali na Ribeira, aquele charmoso bairro velho de Guerra.

Com o show 'Do Jeito Que A Vida Quer', marcado pontualmente para começar sempre à meia-noite depois da discotecagem exclusivamente brasileira do projeto Barulhinho Bom, Khrystal reverencia o samba. E com o samba, toda a influência brasileira dessa intérprete potiguar elogiada por críticos tarimbados do naipe de Sérgio Cabral e Tarik de Souza estará no espetáculo.

Em 2012, Khrystal trocou os tradicionais shows de carnaval que costumava fazer por um repertório exclusivo de samba. Nele, a intérprete canta o Brasil. Pague pra ver e ouvir. O ingresso é apenas 10 pratas. Abaixo, um papo reto sobre o show. Khrystal está preparada para a guerra, a guerra do Brasil. E ai de quem estiver na linha de tiro.


Você lembra qual foi a primeira vez que teve contato com o samba?
Foi em casa,quando criança. Meu pai toca violão lindamente e canta assustadoramente. Dorival Caimmy, Adoniran Barbosa, Raimundo Olavo (potiguar)... tudo isso e muito mais rolava na minha casa. Minha família é muito ligada à música e a relação deles com ela é que desembocou na minha. O samba está nisso, completamente.

Qual foi o samba que escutou pela primeira vez, consegue lembrar?
O samba que ouvi pela primeira vez foi "Saudade da Bahia" de Caimmy, com Saraiva, meu Pai.

O samba te inspira ou qualquer música te inspira? O fato de ser brasileira e o samba ser uma cria brasileira com todas aquelas influências que temos da África mexe com você de alguma forma?
Mexe. Mas qualquer música me inspira. Só precisa ser boa. Acredito que todo cantor(a) brasileiro tem sua hora com o samba. Se não começa por ele, uma hora chega, sabe? De alguma maneira, isso se dá. Falando de mim, sou rítmica e intuitiva, não tem jeito. E o samba atende essa minha pré-disposição,como o côco atende... enfim, essas coisas que vem do negro, muito apimentadas, sempre tiram boas coisas de mim, no palco, sabe?

É a segunda vez que você prepara um show apenas com sambas, certo? Qual é a diferença daquele show com o Canteiros e este agora?
É a segunda vez, sim. A diferença do primeiro show pra esse, fundamentalmente é a formação da banda. Com o canteiro, a formacão era algo mais puxado para o clássico, com uma meia-lua de músicos, tinha violão, sete cordas e os instrumentos tradicionais, todos. Experiência linda! E o repertório. Algumas poucas coisas eu trouxe do outro pra esse.

'Do jeito que a vida quer' é um verso do Benito de Paula. Ele faz um tipo de samba que você gosta ou o nome do show tem a ver mais com a força da frase? O que a frase diz pra você?
Esse samba de Benito me traz uma memória de crianca que eu adoro,na casa minha Vó,em Lagoa Seca. Uma tia minha, tinha uma vitrolinha laranja, uma graça, que só tocava Benito di Paula. O tipo de Samba que ele faz tem um poder de comunicação que eu gosto. Mas confesso que o que toca no meu som é mais ligado a mistura, sabe? Gosto de ouvir artistas que trabalham a partir dele e não só dele =). Do jeito que a vida quer é uma frase leve, pedindo talvez para que não levemos tudo isso (a vida) tão a sério assim... rs

Que compositores você escolheu para fazer esse show?
Sempre escolho primeiro a canção, depois vejo de quem é...rs Quando Perú (Carlos Peru, cuíca e pesquisador do repertório do show) me entregou o disco para a pesquisa desse show, ele me recomendou: 'Ouça como quem tá experimentando óculos... rapidinho, separe os melhores modelos', e foi exatamente o que fiz. Quando vi aquele bolo de canções agrupadas é que fui me aperceber dos autores. No menu, temos Tom Zé, Elton Medeiros, Paulinho da Viola, João Nogueira, Gonzaguinha, Moraes Moreira, Martinho da Vila e mais um tanto. Nada mal,né? kkkk

Que sambas, logo de cara, você viu que não poderiam faltar?
Vou te responder isso, baseada na primeira temporada: O canto das Três Raças e Zé do Caroço.

No Coisa de Preto você não gravou só figurão, colocou compositores então desconhecidos do público. No show de samba vai pescar gente que anda fora da mídia também? Quem?
Basicamente eu mesma hahahahahahahahaha É egraçado por que hoje em dia, as pessoas frequentam shows de música para ouvir o que já conhecem. Parece que perdemos a capacidade de reaprender a ouvir, no sentido de estar aberto a conhecer algo novo.
Coloquei dois ou três sambas meus, mas não entrou "porque é meu" entrou porque tem a ver com o show. Esse show não deixa de ser autoral, porque tem pesquisa e isso sempre deságua em "novidade". Tem samba de 1950 por exemplo, foi chocante pra mim. Mas tem as horas de cantar junto, sim sim sim!!! \0/

Você quer passar alguma mensagem, quer dizer alguma coisa ao público com o show?
Olha, sempre que subo no palco e canto, estou discutindo meu País. Entrou um samba-enredo de 1988(Disputa de Poder) que fala de um Brasil que está aqui, agora. E dentro disso, os temas são variados: comportamento, amor, crença, negritude, trabalho... isso tudo é bom de falar,no palco principalmente. Acho engraçado que nada disso é consciente. Quando vou olhar depois, os temas estão lá. Então, vamos nessa. Samba é canção de guerra. Mas a mensagem do show é provocativa sem ser dura.

A Khrystal 2012 vai ser do jeito que a vida quer ou a vida em 2012 será do jeito que a Khrystal quiser?
Opção dois. Se tu deixa, a vida vai indo sozinha. Isso pode ser bom, mas pode não ser. É bom estar atento e pronto. Eu tô nessa.

Porque o carnaval deste ano vai dar samba?
O carnaval passa muito longe da minha carreira. Uma temporada de samba, não.
Preciso de coerência e sei que não sou uma cantora de baile. No mais, é muito elogio aquele tipo de show e nenhum contrato. Passo o meu reveillon em casa, por exemplo. Cadê o show de carnaval? Os elogios? Não é tão bom? Carnaval é só quatro dias mesmo. Meu trabalho é o ano todo e dentro dele é que arrisco tudo.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

(A) FINADOS do Samba - A história




Foi, como não poderia de ser, na mesa de um buteco. Estávamos eu e meu irmão Anderson Barbosa domingo passado assistindo na TV ao chocolate que o nosso Mengo levava do Grêmio, uma autêntica tarde de Finados. De supetão, lanço a ideia: bora fazer uma roda de samba homenageando os sambistas que já partiram? Bora, respondeu o moleque sem tirar o cigarro da boca. Ok, segui adiante. Então vai se chamar O Samba do Crioulo Morto.

Para meu espanto, Anderson, o correio da má notícia do Novo Jornal, achou pesado o nome. Logo ele! Mas insisti. Saí do bar depois do jogo. Ele pegou o rumo de casa com medo que estava de apanhar da mulher quando chegasse. Passei na casa do Rudson e da Milena, eles adoraram o nome, deram a maior força.

Para fechar à noite, já passava das 21h, ainda faltava a palavra do meu guru Eugênio Meio Quilo. Mas o malandro não estava em casa. Descobri por conta dessa invenção chamada telefone que o cabra bebia com Cris na casa de Yasmine e Ivan. Rumei pra lá. Ele também se amarrou em 'O Samba do Crioulo Morto', mas Yasmine achou pesado. Argumentou que aqui não se comemora os mortos, mas o Dia de Finados.

Diante disso, e depois de várias cervejas, nasceu, em estado bruto, a roda de samba que acontece nesta quarta-feira, Dia de Finados, a partir das 14h, no Bardallos (Rua Gonçalves Lêdo, 678, Cidade Alta). O Nós do Beco e o Arquivo Vivo toparam na hora.

Mas o que também torna ainda mais valorizada essa grande festa é o apoio dos parceiros que, em um dia e meio, conseguimos pescar. Sindicato dos Bancários, Sindsaúde-RN, Sinsenat, deputado Fernando Mineiro e vereador George Câmara. Valeu pelo apoio e a confiança!

A cerveja já está gelada e o samba na ponta da língua. Pra ficar melhor só falta você aparecer! Até porque beber o defunto é não deixar o samba morrer.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

(A) FINADOS do Samba

Se você morre de amores pelo samba a data é irresistível. Vamos celebrar os bambas que permanecem vivinhos da silva na memória e no coração da Música Popular Brasileira. Nesta quarta-feira, 2 de novembro, o Bardallo´s abre as portas em pleno feriado de Finados para homenagear quem foi oló em carne e osso. Os grupos Arquivo Vivo e Nós do Beco se encarregam das honras.

O furdunço batizado carinhosamente pela assistência de (A) FINADOS do Samba começa a partir das 13h30 com Lula e Ricardo commandando o buteco. Cerveja gelada é serventia da casa. O Badallo´s fica na rua Gonçalves Lêdo, na Cidade Alta, adjacência do tradicional e boêmio Beco da Lama. O evento é uma produção da Folha Seca e tem o apoio dos sindicatos dos Bancários, Sindsaúde-RN e Sinsenat-RN.

No repertório desse samba do crioulo ‘morto’ só vale relembrar a turma que já cantou para subir e por aqui deixou saudade. Salve Cartola, Candeia e Nelson Cavaquinho. Salve Roberto Ribeiro, Carlos Cachaça e Sinhô. Salve Paulo da Portela, Noel Rosa e Silas de Oliveira. Salve Luiz Carlos da Vila, Ismael Silva e Donga. Salve Clara Nunes, Elis Regina e João Nogueira. Salve o samba, salve a santa, salve ela. Salve os bambas que baixaram aqui na Terra.

(A) FINADO do Samba - Porque beber o defunto é não deixar o samba morrer!

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

A imprensa e a Copa: estupra, mas não mata

A história diz que o Brasil foi colonizado pelos portugueses. Do mar, a bordo daquelas caravelas enormes, os descendentes de Maria enxergaram uma terra, desceram na praia, encontraram um povo, hipnotizaram os caras, comeram as mulheres, cercaram os terrenos e tomaram conta de tudo.

Simples assim. Como se aqui não existisse ninguém. Ou melhor, como se os que moravam aqui vivessem sob as leis de fora e a porção de terra invadida fosse tão somente uma extensão da casa do Manoel.

Para cá, também contam os livros, o rei de lá mandou toda qualidade de gente. De uma tacada só fez um rapa na família e na cadeia. E ganhamos de brinde uma rainha doida de pedra, bandidos perigosos e ladrões de galinha. Não é nada, não é nada, pode vir daí a raiz do porquê ‘dorme a nossa pátria mãe tão distraída sem perceber que é subtraída em tenebrosas transações’.

Pela cronologia histórica, mais de 500 anos foram para o saco. Mas o óbvio ululante é que nada de fato mudou. Esse mesmo Brasil que já foi dos índios e de Portugal, que já foi Império até virar República; essa terra que já dormiu duas vezes com a ditadura e acordou um dia ao lado da democracia; esse país que canta de galo porque é do futebol está sendo entregue, em papel de presente, a Fifa.

As privatizações ensaiadas por Collor, efetivadas por Fernando Henrique e ratificadas por Lula e Dilma Rousseff (apud aeroporto internacional de São Gonçalo do Amarante) são café pequeno perto do comportamento do governo para receber a festa da Copa por um mês.

Todos os 12 estádios já estão mais caros do que o prometido. Monstros serão erguidos onde não há sequer tradição de futebol. O Palmeiras, por exemplo, está construindo uma arena própria com verba 100% privada que vai custar mais barato que todos os estádios para a Copa onde a verba pública está rolando solta.

Os governos federal, estadual e municipal vendem a ilusão de que estamos fazendo um evento para, enfim, construir o Brasil, quando o mínimo de planejamento nos orienta a terminar a casa para poder receber qualquer festa.

Não satisfeita, além da farra, e para delírio da imprensa que torce e, por isso, distorce ou esconde a maioria das informações, a Fifa quer mandar também na casa. E tal qual fizeram os portugueses quando cá estiveram pela primeira vez, enxergou uma terra, desceu na praia, encontrou um povo, hipnotizou os caras, comeu as mulheres, começou a cercar os terrenos e vai tomando conta de tudo.

Depois da Fifa e do presidente da CBF Ricardo Teixeira, agora é o ministro dos Esportes Orlando Silva quem se vê na obrigação de dar explicações sobre corrupção no governo. A relação da Fifa com o Brasil é um caso clássico de estupro. Uma violência política, um atentado à autonomia do país. A imprensa festiva aplaude para garantir o ingresso e não perder nenhum lance. É cúmplice e hipócrita. Estupra, mas não mata. É da jogada ensaiada que sai o gol.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Arquivo Vivo volta ao Beco do Samba

A Quinta Viva do Samba volta hoje ao berço de origem. O grupo Arquivo Vivo retoma os trabalhos a partir das 19h no bar de Nazaré, no Beco da Lama (rua Coronel Cascudo, por trás da Assembleia Legislativa). Promessa de uma noite memorável, até pela oficialidade da reinauguração do botequim.

A pausa, que levou o grupo ao mafuá do Tom Maior por quatro longas semanas, foi provocada pela reforma no buteco concluída agora por Nazaré, dona do estabelecimento que já vai ao sabor dos 15 anos. Eu já cheguei por lá e, embora não tenha gostado daquela tinta verde na parede, aprovei a mudança.

Principalmente com as boas vindas do banheiro feminino, o que era uma reivindicação da assistência há vários porres. A cozinha também ficou bacana. O laranja do muro que separava Tázia do balcão ficou branquinho da silva. O botequim parece até que aumentou de tamanho.

O convite está feito. E ainda tem promoção à vista. Os 100 primeiros que disserem à Nazaré que viram a notícia da reinauguração do buteco no Blog, só pagam 4 REAIS pela cerveja! Tudo, claro, em nome do samba.

Aquele abraço.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Eu e o Rock in Rio

Publicado hoje no NOVO JORNAL

Eu podia falar que o Rock in Rio valeu só porque eu vi um show do R.E.M dez anos antes da banda anunciar o fim. Eu também podia falar que o Rock in Rio valeu porque eu vi um sujeito se jogar no chão e gritar chorando que já podia morrer quando Axel Rose dedilhou ao piano as primeiras notas de November Rain.

É claro que eu podia dizer que o Rock in Rio valeu porque fui uma das 50 mil pessoas que atirou uma garrafa de água mineral na cabeça do Carlinhos Brown depois que ele esqueceu a letra do Hino Nacional e começou a xingar o público para tentar amenizar a vaia e a vergonha no palco.

Pensando bem, eu podia dizer que o Rock in Rio valeu só porque eu vi os seios que a Cassia Eller mostrou para mim num show com o sol ainda a pino. Não é por nada não, mas eu também podia dizer que o Rock in Rio valeu porque eu vi Dave Grohl, do Foo Figthers, tocar bateria como se ainda estivesse no Nirvana.

Aqui pra nós, eu podia dizer que o Rock in Rio valeu a pena porque eu vi o Barão Vermelho começar um show igualzinho ao do Rock in Rio de 1985, quando o Cazuza ainda estava no comando. Se bem que eu também podia dizer que o Rock in Rio valeu porque de tanto eu falar a palavra ‘sacanagem’ sabe-se lá por qual motivo, um gringo com português arrastado me perguntou o que era ‘sacanagem’ e uma mulher feia pra caralho disse que depois mostrava para ele.

É inegável que eu podia falar que o Rock in Rio valeu só porque eu vi o babaca do Liam Gallenger parar o show para perguntar se o público gostava mais do Oasis ou do Gun´s and Roses e 90% da plateia responder... Gun´s and Roses!

Eu podia dizer que o Rock in Rio valeu simplesmente porque foi durante o festival que recebi a notícia de que tinha passado no vestibular para jornalismo. E se não fosse por isso não estaria agora me perguntando se valeu estar no Rock in Rio. Enfim, eu podia garantir que o Rock in Rio valeu a pena, mas vou ficar calado. Porque se eu disser tudo o que eu vi naquele janeiro de 2001 é capaz de ninguém acreditar em mim.

O PCC da minha mãe

Publicado hoje no NOVO JORNAL

A primeira história de violência que escutei na vida foi narrada por minha mãe. E as mães, vocês sabem, são engraçadas: riem do nosso primeiro choro para depois declarar amor incondicional pelo resto de nossas vidas.

Na inocência dos meus três para quatro anos, dona Sônia contava uma das intermináveis historinhas do Sítio do Pica Pau Amarelo ao pé da cama quando, em meio a uma luta incansável contra o sono, revelou a existência de um personagem então desconhecido até por Monteiro Lobato: Narizinho Arrebentado.

Não tive dúvidas: a Cuca era culpada. E enxerido, sem ligar para o abrir e fechar de olhos da mamãe, insisti para saber o grau da brutalidade de que havia sido vítima a pobre menina.

- Arrebentado quanto, mamãe?

Dona Sônia me olhou como se acordasse de um sono profundo e, acredito que em desespero por não ter conseguido me fazer dormir até aquela hora, perguntou do que eu falava:

- Você disse que a Narizinho estava arrebentada, mamãe! Arrebentada quanto?

A gargalhada que ouvi depois da pergunta foi um balde de água fria para quem esperava detalhes com requintes de crueldade do espancamento de uma garotinha indefesa pelo vilão da história.

Antes que eu tivesse um pesadelo, me contou que havia se enganado e que, a partir dali, escutasse sempre ‘Arrebitado’ toda vez que o nome da irmã do Pedrinho aparecesse na história.

Voltei quase 30 anos no tempo porque lembrei daquela noite semana passada. Na sexta-feira, acompanhei da redação as notícias que che-gavam dando conta que ônibus haviam sido incendiados no meio da rua.

Enquanto as informações falavam em dois e três veículos, tudo bem. Mas com o passar das horas e o número subindo, a preocupação aumentou. A gota d´ água aconteceu com o oitavo ônibus queimado. Liguei pra casa:

- Fiquem aí. Não é nada, mas já queimaram oito ônibus na cidade, um prédio pegou fogo e estão falando em arrastões. Então, tomem aquela cerveja em casa mesmo, ok?

Meu pai perguntou quem tinha feito aquilo tudo:

- Estão dizendo que é o PCC..., respondi.

Depois de desligar, foi contar a notícia a dona Sônia. Seo Francisco, segundo ela, resumiu tudo ao Centro de Natal. E como só passa ônibus em três ruas daquele pedaço da cidade, imaginou a Cidade Alta virada de ponta a cabeça. O molho da história veio quando soube que os crimes haviam sido cometidos pelo PCC:

- Meu Deus, Francisco! Incendiaram oito ônibus por causa do Plano de Cargos e Carreiras!? Essa prefeita não pagou de novo?! Meu Deus do céu, não tem jeito pra essa cidade...

Minha mãe, entendam, achou que, revoltados por mais um calote da prefeitura, o povo detonou uma revolta popular. E diante da mais pura imaginação, só restou ao seo Francisco explicar que PCC não tinha nada a ver com salário e que, dessa vez, Micarla era inocente.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Professores não querem trabalhar a pé

A educação municipal vai parar nesta quarta-feira em protesto ao não repasse de vales-transportes aos professores. O sindicato da categoria afirma que os valores foram descontados dos contracheques, mas os vales não foram repassados aos trabalhadores. A paralisação é de advertência e, por enquanto, vai durar apenas um dia.

De acordo com a coordenadora geral do Sinte, Fátima Cardoso, a paralisação deve atingir mais de 4 mil professores das escolas municipais e educadores dos centros municipais de edu-cação infantil (CMEIs). A verba descontada e não repassada varia de R$ 80 a R$ 136. Segundo ela, esse é o quarto mês, não consecutivo, que a prefeitura de Natal atrasa os repasses. “O pior é que se não houver restituição em dinheiro não dá para inserir os vales nos cartões. No ano passado, a prefeitura só restituiu o mês de março”, afirmou.

A sindicalista também acusa o secretário Walter Fonseca de ameaçar cortar o ponto de quem faltar às aulas. “Ele está ameaçando os professores com o corte de salário. O secretário tem obrigação de passar os vales em dia. Temos uma resolução de assembleia que diz que, caso o trabalhador fique dez dias sem receber os vales, o profissional para”, disse.

Os professores da rede municipal e educadores dos CMEIs se reunirão em assembleia nesta quarta-feira. Um ato público, em frente a prefeitura, está marcado para às 9h.

A última greve dos professores municipais durou um mês e foi encerrada em março deste ano depois que a Justiça considerou a paralisação ilegal.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Secopa diz que edital prevê 5.280 horas de consultoria

O secretário da Secopa, Demétrio Torres, comentou, por telefone, a polêmica dos 5.280 consultores do edital de gerenciamento da Arena das Dunas. Segundo ele, a quantidade não é de profissionais, mas de horas trabalhadas num período de três anos. Ele explicou que cada hora trabalhada vai custar 80 reais ao governo estadual. Ao final dos três anos, o valor do serviço sairá por R$ 422,4 mil.

A lista completa de trabalhadores que precisarão ser contratados na licitação de gerenciamento da Arena das Dunas custará ao erário R$ 3.245.40,00 milhões. Com as demais exigências, a empresa que vencer a licitação receberá cerca de R$ 10 milhões do Governo do Estado.

Questionado sobre a falta de clareza no edital em relação aos consultores, o titular da Secopa foi sutil. “Se você quiser achar escândalo não vai ser nesse edital. Consegui baixar de R$ 16 milhões para R$ 10 milhões em relação ao mesmo edital publicado pelo governo passado”, afirmou antes de se disponibilizar, a partir de amanhã, para tirar outras dúvidas.

Direto do Meio da Rua:
Se o secretário Demétrio Torres continuar achando que de todo questionamento sobre um tema polêmico a imprensa quiser tirar um escândalo, vai perder um tempo precioso que o Governo do Estado não tem quando o assunto é a Copa do Mundo. O papel do jornalista é o de perguntar. Ao poder público, cabe esclarecer. Quanto mais positiva for essa relação, a sociedade agradecerá no final.

Arena das Dunas terá 4,4 consultores para cada operário

A matéria publicada na manhã desta segunda-feira pelo repórter Dinarte Assunção, do portal nominuto.com, já é, no mínimo, curiosa. E piora quando se compara o número de consultores que deverão ser disponibilizados pela construtora que vencer a licitação de gerenciamento das obras da Arena.

Semana passada, na visita do secretário especial da Copa (Secopa) ao canteiro de obras, Demétrio Torres me disse que, no ponto alto da construção do novo estádio, 1.100 operários trabalharão na Arena. Hoje, cerca de 200 homens atuam na terraplanagem e outros serviços que estão sendo feitos.

No barato, fazendo uma conta simples, se dividir os 5.280 consultores que o edital exige por 1.100 trabalhadores que pegarão no pesado, dá 4,4 profissionais gerenciando a Arena por operário com a mão na massa.

Já imagino a fila na portão de ferro do Machadão quando abrir vaga para essa ruma de consultor.

Abaixo, a matéria publicada hoje no portal nominuto.com:


Edital prevê contratação de 5280 consultores para Arena das Dunas


A empresa vencedora da licitação 004/2011 deverá dispor de 5.280 consultores para realizar o gerenciamento das obras da Arena das Dunas. Além deles, 595 profissionais, entre mais engenheiros, arquitetos, secretárias, técnicos e auxiliares administrativos deverão ser contratados.

A consultoria deverá demandar ao Governo do Estado até R$ 10.712.486,91. Dois consórcios disputam o certame, que entrou em fase de apresentação de propostas. De acordo com a tabela de valores estipulados, serão R$ 3,2 milhões com a mão de obra mencionada.

Pelo cronograma estipulado pela Secopa, a consultoria deveria ter começado a trabalhar em julho deste ano. O edital de licitação foi suspenso ao fim de julho a pedido do Tribunal de Contas do Estado (TCE), que questionou a necessidade da contratação de mais uma empresa para as obras.

Dâmocles Trinta, titular da Secretaria Extraordinária para Assuntos da Copa (Secopa) explicou na ocasião que essa é uma exigência do BNDES, a quem foi pedido o empréstimo para bancar as obras da Arena das Dunas, que são tocadas pela construtora baiana OAS.

Duas empresas disputam o certame: EC Engenharia e Consultoria Ltda. e IM Comércio Terraplanagem Ltda – embora tenham sido apresentadas nas propostas as designações de “Consórcio Gerenciador Arena das Dunas” e “Consórcio CS Dunas”.

Pelo cronograma ao qual o Nominuto teve acesso, de julho até dezembro deste ano, a empresa gerenciadora da Arena deveria estar trabalhando ao custo mensal de R$ 400 mil. Ao fim do ano seriam R$ 2,4 milhões. As empresas, que já tinham passado pela fase de habilitação, tiraram a nota máxima (100 pontos cada uma) na nota de apresentação da fase técnica.

Para 2012, o desembolso mensal será de R$ 346.353,62, totalizando em dezembro do próximo ano RS 4.156.243,46. Não informações sobre desembolso de 2013.

Procurado pela reportagem para esclarecer os números, Dâmocles Trinta informou que não poderia atender.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Aldair Rocha é pego na mentira

Um papelão. Não dá para chamar de outra coisa a entrevista dada no início da noite desta sexta-feira pelo secretário estadual de Segurança Pública, Aldair Rocha, no RN TV 2ª edição, da InterTV Cabugi.

Tentando passar uma falsa tranquilidade à população no caso dos ataques aos ônibus da cidade, Rocha se preocupou apenas em diminuir o tamanho do problema que, ao que parece, está apenas começando para ele.

Quanto mais a secretaria de segurança sonega informação à sociedade, maior é o temor do cidadão que vai pegando o secretário na mentira à medida que a imprensa noticia um ônibus incendiado atrás do outro. Não à toa, uma hora depois, com mais três ônibus atacados na Zona Norte a frota foi recolhida por tempo indeterminado pelo Seturn.

Está claro que as ações simultâneas não são mero vandalismo de uma meia dúzia de vagabundos, como Aldair Rocha tentou fazer passar agora à noite. Se quem assina é o Primeiro Comando da Capital (PCC) pouco importa. Mas que o troço é planejado não há como negar. E tanto a cúpula da segurança pública sabe disso que, antes mesmo do secretário aparecer mentindo na televisão, 16 presos eram transferidos de Alcaçuz para a penitenciária federal de Segurança Máxima de Mossoró.

Fechar os olhos para isso dá margem para muita interpretação. A quem interessa esconder o jogo?

Cláudio Oliveira traça tudo

Essa eu não sabia. Desde o início do ano a Fundação José Augusto organiza um bate-papo por mês com um cidadão potiguar reconhecido fora do Rio Grande do Norte. Já estiveram por aqui o marchand e ensaísta Geraldo Edson de Andrade, o editor José Xavier Cortez e o diretor de teatro e cinema Moacir de Goes.

O evento chama ‘Arte Potiguar no Mundo’ e acontece, na próxima segunda-feira, a partir das 19h30, no Teatro de Cultura Popular, com o chargista Cláudio Oliveira, que começou a carreira na Tribuna do Norte e foi parar no grupo Folha, em São Paulo.

Cláudio já venceu o prêmio Vladmir Herzog de Direitos Humanos e batizou a conversa com os conterrâneos de ‘Traçando Caminhos’. Quem também já está confirmado para o próximo mês é o escritor Nei Leandro de Castro, hoje radicado no Rio de Janeiro.

O preço da fama

Meu amigo Anderson Barbosa virou herói estadual depois que ajudou a negociar e evitar uma rebelião do PCC no presídio de Alcaçuz. Mas tudo tem um preço. Como publicou o próprio telefone na edição de hoje do NOVO JORNAL, ele não para de receber ligações. Além dos parabéns de amigos e colegas, Anderson passou a receber pedidos inusitados.

Num desses telefones, agora há pouco, um sujeito pediu que ele intermediasse a separação com a própria mulher. A danada está querendo vazar de casa, largar o marido e a família. Para o cabra, só Anderson Barbosa poderá evitar o pior.

Os nobres deputados estaduais, que tanto gostam de homenagear gente que não nunca fez nada pelo Estado, agora tem um bom motivo e poderiam conceder ao brasiliense Anderson Barbosa o título de cidadão potiguar.

O dia em que Anderson Barbosa virou herói

Por Anderson Barbosa, publicado hoje no NOVO JORNAL

João Maria não é um apenado qualquer. Condenado por tráfico de drogas, ele tornou-se hospede de Alcaçuz há oito meses. Esta é sua segunda estadia. Tinha sido posto em liberdade no ano passado para cumprir o regime semiaberto, mas como largou mão do benefício, foi preso novamente. João Maria agora é famoso. João Maria liderou a rebelião em Alcaçuz. João Maria negociou a saída das 54 mulheres que dormiram no presídio.

João Maria é interno do pavilhão 1. Lá estão alguns dos criminosos mais perigosos do estado. É naquela ala onde as leis de Alcaçuz são discutidas. É no pavilhão 1 onde come e dorme a célula do PCC no Rio Grande do Norte. João Maria é do PCC. “Aqui todo mundo é irmão. Todo mundo é do PCC”, afirmou ele, todo gabola.

Quando o telefone tocou, eu não sabia quem era do outro lado da linha. Porém, ao final desta história, vou revelar que duas coisas ficaram gravadas depois desta ligação surpresa. Uma delas vai desaparecer. Não tenho dúvida que vai. A outra, tenho certeza que ninguém apagará.

João Maria:
Aqui a situação tá feia. Vai ficar pior se a governadora não vier negociar com nós. Queremos Rosalba e o corregedor. Avisa pro diretor (major Marco Lisboa) que tem gente aqui que vai morrer. Se não atenderem nossas reivindicações, vamos mandar um aviso pra eles verem que aqui ninguém tá de brincadeira.

Repórter: Quem vai morrer? Vocês vão matar quem? Que papo é esse? Vocês vão matar as próprias mulheres de vocês?

João Maria: Não. Aqui ninguém vai machucar a mulher de ninguém. Mas tem preso aqui que merece morrer.

Repórter:
Essas mulheres estão aí fazendo o que? O que vocês querem pra soltá-las?

João Maria: Elas estão aqui porque querem, pra ajudar a gente. Mas só vão sair quando a governadora prometer que a nossa situação vai melhorar. Por que não deixaram a nossa comida entrar?

Repórter: Os agentes penitenciários proibiram. Eles dizem que comida, material de higiene e limpeza é o Estado que tem de fornecer.

João Maria:
Essa porcaria que dão pra gente nem cachorro come. Aqui a gente passa fome. Tem preso doente por causa dessa comida estragada. Vem você comer essa merda. Quero ver a governadora e o secretário comerem essa merda.

Repórter: Fica calmo. Tô indo pra Alcaçuz. Quem é que tá no comando aí?

João Maria:
Quem manda aqui é o PCC. Aqui todo mundo é irmão. Todo mundo é o PCC. Venha que a gente quer a imprensa aqui. Com vocês aqui, a polícia não faz nada com a gente. Se não tiver imprensa aqui, eles vão invadir. Vai ter morte, tô avisando.

Repórter:
Espera que eu tô chagando. Quando eu estiver aí, ligo de volta. Deixa o telefone ligado. Quem te deu o telefone que você tá usando?

João Maria: Você sabe que visita não entra com celular. Quem entra com telefone são os agentes. É só pagar que você recebe.

Repórter: Quem são os agentes? Quanto custa o telefone?

João Maria: Sou burro não. Se disser o nome deles eu morro. O telefone custa mil reais.

Repórter: Ficou caro, né? Ano passado um colega seu disse que valia uns R$ 200 ou R$ 300, no máximo.

João Maria: Por este valor você não compra nem o chip.

Repórter:
Vou desligar. Quando chegar aí eu ligo.

A reportagem deixou a redação do NOVO JORNAL, no bairro da Ribeira, por volta das R$ 7h. Até Alcaçuz, em Nísia Floresta, em função da chuva e do trânsito lento, o percurso demorou quase uma hora. E logo na entrada da penitenciária, ficou nítido que havia algo errado.

Estranhamente, apenas os agentes penitenciários estavam no rol de entrada de Alcaçuz. Dez ao todo. Apenas dez homens para tomar conta de mais de 700 presos. No presídio a Polícia Militar fica do lado de fora, fazendo a guarda externa. Dentro, só os agentes penitenciários. Apenas os dez.

Repórter: João, aqui só tem agente penitenciário. O diretor (major Marcos Lisboa) não está aqui. Nem o coordenador (José Olímpio).

João Maria: Cadê você? Aparece aí no portão pra eu ver.

Repórter:
Tô aqui. Tá vendo? Acena aí pra eu te ver.

João Maria: Tô aqui. Tá vendo bandeira do PCC. Vou balançar pra você ver.

Repórter: Balança pro fotógrafo fazer a foto.

João Maria: Manda esse policial que dá do teu lado sair daí.

Repórter: Aqui não tem PM. Só tem agente penitenciário.

João Maria: Esse que tá aí, do teu lado. Manda ele sair.

Repórter: É o Ney Douglas, meu fotógrafo. Essa capa verde é de chuva. Se molhar a câmera não tem foto.

João Maria: (depois de gargalhar) Cara, ele parece um PM. E cadê o secretário? Cadê a governadora?

Repórter:
João, a governadora não vem. Você me disse que não é burro. Você acha mesmo que a governadora vai se curvar pra preso? Ela é a governadora do estado. Já liguei para o secretário Thiago Cortez (Sejuc) e ele disse que também não vem. Mas a imprensa tá aqui. É só você exigir a nossa presença e nós vamos conversar. Tá certo assim?

João Maria:
Então liga pra Wellington (o vice-diretor). Aí você entra com ele e a gente negocia.

Repórter: Eu não negocio nada. Posso ir com ele pra você ver que estamos aqui pra resolver sem precisar a polícia entrar. Não é isso que você quer? Você me ajuda que eu te ajudo. Fechado?

João Maria: Eu vou dar 15 minutos pro Wellington chegar. Se ele não aparecer vamos mandar um aviso. Quem é que tá na chefia aí?

Repórter: Aqui só tem agente penitenciário. O chefe da equipe é o Eduardo. Vou passar pra ele. Não desliga.

Neste momento o agente Eduardo Júnior, chefe da equipe, pega o telefone da reportagem e conversa com João Maria. Dois minutos de conversa foi tempo suficiente para o agente garantir ao preso que não haveria represália. “Da minha parte você pode ficar tranquilo. Wellington já tá vindo pra cá. Quando ele chegar vocês conversam. As mulheres saem e tudo fica numa boa. Pode confiar que ninguém vai sofrer nada”, disse Eduardo, devolvendo o telefone ao repórter.

Repórter: Tá vendo João. Tá limpeza. Deixa as mulheres saírem.

João Maria: Só quando eu falar com Wellington. Ele tem que voltar pra direção. Ele a gente respeita. Esse diretor que tá aí (major Lisboa) só faz humilhar a gente.

Repórter:
João, espera aí que o carro de Wellington tá chegando. Acho que é ele. Não desliga que vou passar o telefone pra ele. Não desliga.
Wellington entrou em Alcaçuz por volta das 8h20. Naquele exato instante, já fazia praticamente 24 horas que as mulheres estavam dentro do presídio.

Repórter: Wellington, tem um preso aqui na linha querendo falar com você. Ele disse que só negocia com o senhor.

Wellington Marques: É você João? Tenha calma que eu vou aí falar com você. Vai sim, a imprensa vai sim. Anderson tá aqui do meu lado e vai também. Tô entrando.

Portões abertos, o vice-diretor caminhou em direção ao pavilhão 1. Do rol de entrada até o portão que dá acesso ao pavilhão, são quase 200 metros. Wellington seguia na frente, com os agentes penitenciários armados logo atrás. Na cola deles, naquele momento, toda a imprensa. Além do NOVO JORNAL, jornalistas da TV Cabugi, Ponta Negra, Tropical, Sim TV, Band, TV União, Diário de Natal, Tribuna do Norte, Jornal de Hoje, Portal BO e Nominuto.

O escândalo da semana

Jornalista é bicho besta. Quando falta assunto para o artigo da semana, o sujeito começa o texto reclamando que está sem inspiração. Do contrário, se acontece tudo ao mesmo tempo, fica igual ao peru que tomou aquele goró na véspera e anda de um lado pra outro sem saber o que fazer antes do golpe fatal.

Na segunda-feira, imaginei que o filão seria o pecado capital da rapaziada do Ipem que, ao que indicam as investigações do Ministério Público, foi com muita sede ao cofrinho de ouro. Aliás, o instituto dos fantasminhas camaradas tarados por diárias foi mais um escândalo na esteira de corrupção dos últimos anos. Coincidência, ou não, quando se vai atrás das doações de campanha eleitoral, tem sempre alguém envolvido numa falcatrua doando grana para candidato.

No xadrez improvisado no quartel da PM, com direito a ar-condicionado e chuveiro elétrico, a tchurma do Ipem deve ter passado a primeira noite sonhando com o tarado do ex-ministro do Turismo que, além de ter pago um motelzinho com dinheiro público no Maranhão, também bancou por sete anos, com grana do erário, a governanta de casa.

A saída do velhaco, que ganhou ares de escândalo nacional, era outra alternativa. Mas mudei de ideia quando a Dilma mandou dizer a Henrique Alves que se o PMDB ainda quisesse ficar com o Turismo que arrumasse um candidato com a ficha limpa. Aí lascou, pensei. Era melhor pedir que o partido se retirasse do governo do que criar um constrangimento desses. Até porque, hoje em dia, se um sujeito ficha limpa passar na porta do PDMB é crise interna na certa. E daí para mais um escândalo nacional é um pulo.

Então fiquei naquela expectativa de quem apareceria primeiro: o tal ficha limpa do PMDB ou o deputado estadual Gilson Moura, que indicou o diretor geral do Ipem, outros 53 cargos comissionados no órgão, e simplesmente sumiu.

Confesso que me sur-preendi com a velocidade com que o novo ministro foi anunciado. Porém, para manter a coerência, o PMDB tratou de chamar o deputado federal GASTÃO Vieira, que se gastar menos que o ante-cessor já alivia um peso grande no tesouro nacional.

Antes de acabar, a se-mana ainda brindou a sociedade com as investigações sobre o cartel dos combustíveis até que a grande notícia apareceu. No bar do Dedé, em Ponta Negra, Nigelson, amigo do meu pai, disse que viu em algum lugar a Xuxa dizendo que o pé do Pelé foi a coisa mais nojenta que ela já viu na vida. Foi um baque na mesa.

Sem cerimônia, a Meneghell falou dos pés de um Rei. Dos pés do sujeito que, em campo, carregava na chuteira o orgulho nacional. Dos pés de 1.282 gols. A Xuxa, meus amigos, tem nojo dos pés que fizeram feliz um país inteiro, que o mundo reverenciou.

Àquela altura, a cerveja entalada só desceu quando Naílton, o irmão de Nigélson, botou ainda mais fogo na polêmica:

- E é? Será que o pé do Pelé é mais feio que o da Marlene Mattos?

Silêncio na mesa. Esse foi, em estado bruto, o escândalo da semana.

MPBeco divulga seleção do festival

A produção do MPBeco divulgou as 24 músicas selecionadas para o festival que rola nos dias 1°, 8 e 15 de outubro, na praça Sete de Setembro, em frente ao Palácio Potengi.

Para chegar as 24 concorrentes, a comissão teve ouviu 285 músicas. Ao todo, 139 inscrições de várias regiões do Estado foram realizadas. Os responsáveis por essa verdadeira garimpagem foram o músico Mirabô Dantas, a musicista e poeta Michelle Ferret, e o músico e jornalista Moisés de Lima.

Em 2011, no final de cada noite, a sexta edição do MPBeco ainda vai com Lirinha, Cida Lobo, Du Souto, Escurinho, Maguinho da Silva e Cidadão Instigado.

Confira as músicas selecionadas:



01 Algumas Verdades Sobre a Mentira
Autores: Simona Talma e Romildo Soares
(Natal/RN)

02 Alice
Autor: Max Soul
(Natal/RN)

03 Amor Bandido
Autor: MC Priguissa
(Natal/RN)

04 Apenas Um Blues
Lindenberg Mariano
Natal/RN

05 Árido Blues
Autor: Zoroaster Cavalcanti de Medeiros
(Natal/RN)

06 As Barbas da Mãe
Autores: Rafael Novais / Eduardo Borges / Rafael Melo / Weslley Xavier
(Povoado Mata Verde / Macaíba/RN)

07 Bar das Bandeiras
Autores: Wigder Valle e José Gaudêncio Torquato
(Natal/RN)

08 Blues do Desespero
Autor: Antônio Carlos Spinelli
(Natal/RN)


09 Canto do Concliz
Autor: Popola de Natal
(Natal/RN)

10 Chuva de Alexandria
Autor: Breno Z
(Natal/RN)

11 Depois
Autor: Yrahn Barreto
(São Gonçalo do Amarante/RN)

12 Do Alto do Palato
Autora: Rani
(Natal/RN)

13 Festa na Vila
Autor: João Henrique Koerig
(Natal/RN)

14 Homens Lunares
Autores: Luciana Barros e Fábio Rocha
(Natal/RN)

15 Jurubebas Queen
Autor: Artur Soares
(Mossoró/RN)

16 Liberdade Vigiada
Autores: Abel Melo e Leandro Levy
(São Paulo do Potengi/RN)

17 O Cotidiano
Autor: SaintClair
(Natal/RN)

18 O Retrato de Madame K
Autor: Gabriel Leopoldino Paulo de Medeiros
(Natal/RN)

19 O Trovão e O Passarinho
Autores: Nagério / Carlos Bem / Franklin Mário
(Natal/RN)

20 Overdose de Samba
Autor: Heriberto Pedro da Silva (Zorro)
(Natal/RN)

21 Solidão Avulsa
Autores: Pedras Leão e Maria Di Lia
(Natal/RN)

22 Tango do Hospício Encantado
Autores: Franklyn Nogvaes e Antônio Ronaldo
(Natal/RN)

23 Tico-Tico
Autor: Caio Padilha
(Natal/RN)

24 Xote Americano
Autores: Joana Medeiros e Batista Araújo
(Natal/RN)

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Sem desafinar, Arquivo Vivo vai ao Tom Maior

A tradicional Quinta Viva do Samba, que rola todas as quintas-feiras com o grupo Arquivo Vivo, no bar de Nazaré, por trás da Assembleia Legislativa, na Cidade Alta, não vai acontecer hoje nem na próxima semana.

A parada ocorre porque o buteco passaria por uma reforma, o que acabou não dando certo. Porém, como havia sido avisado com antecedência, a rapaziada fechou duas apresentações na quinta-feira, no bar Tom Maior, que fica na rua São José, próximo a Promater, em Lagoa Nova.

A roda de samba começa às 21h e sabe-se lá que horas termina.

Daqui a três quintas-feiras o Arquivo Vivo volta para o Beco. Até porque lugar de samba é, com o perdão da modéstia, n´O MEIO DA RUA.

A literatura em dois tempos

Hoje a noite é da literatura. Pablo Capistrano e Ticiano Duarte retomam o caminho das letras e lançam, a partir das 19h, mais duas obras. O filósofo estreia na área de contos, ele que já namorou a poesia, o romance e as crônicas. Já o jornalista, cronista da memória política potiguar, reúne num único volume 60 crônicas publicadas no jornal Tribuna do Norte.

Conversei com os dois semana passada. Em ‘É preciso ter sorte quando se está em guerra’, que sai com o selo dos Jovens Escribas, Pablo fala do pânico da sociedade urbana moderna. São três contos, longos, em que também homenageia referências literárias, como Edgard Alan Poe, Jack Kerouac e Franz Kafka. O pânico, para ele, está ligado à ansiedade. Na visão de Capistrano a sociedade surtou, ficou louca. Tudo conseqüência da guerra econômica, social, auditiva e existencial dos dias de hoje.

Enquanto o filósofo fala do presente, o jornalista se agarra ao passado. No livro ‘No chão dos perrés e pelabuchos’, publicado pela editora Z, Ticiano volta mais de 70 anos no tempo para recontar a história política potiguar a partir das disputas entre os perrés, grupo ligado ao partido republicano liderado na época por Juvenal Lamartine e José Augusto Bezerra de Medeiros, e os pelabuchos, turma que tinha como símbolos Mário Câmara e Café Filho. Segundo o autor, o catiripapo rolava solto quando a rapaziada se estranhava. O livro ainda traz perfis de personagens esquecidos pela história. Embora não tenha uma ordem cronológica definida, a obra vai até o início da ditadura militar.

Pablo e Ticiano, um em cada tempo.

Serviço:

‘É preciso ter sorte quando se está em guerra’, de Pablo Capistrano, hoje, a partir das 19h, na Siciliano do Natal Shopping.

‘No chão dos perrés e pelabuchos’, de Ticiano Duarte, hoje, a partir das 19h, na Siciliano do Midway Mall.